Basf amplia oferta de financiamento ao produtor rural
A Basf, de insumos agrícolas, está ofertando mais crédito aos agricultores brasileiros. A multinacional encerra o ano com R$ 2,5 bilhões em financiamentos, o dobro do valor concedido na safra 2024/25. A carteira de operações estruturadas da companhia inclui barter – troca de insumos pelo produto que sairá do campo -, Fundos de Investimento em Direitos Creditórios e em Cadeias Agroindustriais. “A oferta de soluções em crédito acompanha a realidade dos produtores e a dinâmica de cada safra”, diz Graciela Mognol, diretora de Marketing da Basf Soluções para Agricultura. O movimento ocorre em meio à dificuldade de acesso a crédito com agentes financeiros mais seletivos.
Cautela nas compras de insumos
Com recursos mais limitados, agricultores têm adquirido os insumos de maneira gradual e não mais antecipadamente, diz Mognol. Agora, escolher o momento de fechar o contrato é estratégico. Nesta safra, a tomada de decisão quanto à compra de defensivos para cultivos de verão se estendeu até dezembro.
A Basf criou em parceria com a fintech Farmtech um fundo de crédito para distribuidores de insumos agrícolas. Cerca de R$ 200 milhões em crédito digital aos varejistas foram concedidos – a meta é de R$ 500 milhões na safra 2025/26. “O crédito permite que o produtor finalize a compra a prazo enquanto a revenda recebe o valor à vista”, diz Patricia Ambrósio, head de Serviços Financeiros e Operações Estruturadas do Conecta.AG, ecossistema de negócios da Basf Soluções.
A Procer, da Kepler Weber, instalou sistema de monitoramento no complexo da Pirahy Alimentos, dona da marca Prato Fino, em São Borja (RS), o maior em arroz da América Latina. São 120 silos com capacidade para 6,2 milhões de sacas. A plataforma mede volumes estocados e acompanha a secagem em tempo real, reduzindo perdas de grãos. “Trará mais precisão às operações”, diz João Julião, gerente de produção da Pirahy. O valor do contrato não foi divulgado.
…Para não perder
A Procer conecta 10 mil silos, galpões e armazéns no Brasil e neste ano monitorou 60 milhões de toneladas de grãos, cerca de 20% da capacidade estática do País. A entrada no setor de arroz amplia presença num mercado pressionado por eficiência e tecnologia de armazenagem. A Conab projeta safra de 11,5 milhões de toneladas de arroz em 2025/26, volume que exige controle rigoroso de umidade e temperatura.
A americana o9 Solutions, plataforma de software para cadeias de suprimentos avaliada em US$ 3,7 bilhões, tem no agronegócio 30% de sua receita no Brasil. No País desde 2022, a empresa, que não abre o faturamento, utiliza IA para integrar o planejamento de safra, estoques e logística em originação de grãos e fertilizantes. O sistema reduz em até 70% o tempo de planejamento operacional. “A IA amplia a capacidade de simular cenários”, diz Gabriel Vasconcellos, VP para a América Latina. Cooperativas e proteína animal estão no foco.
A Agritech registrou alta de 17,2% nas vendas de tratores para agricultura familiar entre janeiro e outubro. Foi a terceira marca que mais ganhou mercado no período, atrás de John Deere e Agrale, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). No segmento de microtratores, porta de entrada para mecanização de pequenas propriedades, o crescimento foi de 96%. “O mercado mostra retomada consistente, impulsionada pelo interesse de pequenos e médios produtores em modernizar a operação”, afirma Cesar Roberto Guimarães de Oliveira, gerente de vendas e marketing da fabricante.
A RZK Agro, concessionária John Deere, e a revendedora Deltamaq criaram a RZK Equipamentos, dedicada ao segmento de maquinário pesado. José Ricardo Rezek, presidente do Grupo RZK, destaca o ganho de escala com mais sete unidades no Pará, Amapá, Maranhão e Tocantins, e a expansão para Mato Grosso e Goiás. A RZK Agro prevê receita de R$ 2,5 bilhões em 2026.